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Tabu, melhor filme da Mostra de São Paulo na minha opinião

O bom documentário Francisco Brennand, assistido na última quarta-feira, pôs fim a uma maratona de três semanas na qual pude assistir a mais de 50 entre os cerca de 350 filmes presentes na programação da 36ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Como é natural se esperar de um evento de tão grande porte, vi filmes de todos os tipos: péssimos (A Voz da Primavera), ruins (Chamada a Cobrar), bons (A Feiticeira da Guerra) e ótimos (Além das Montanhas). No entanto, prefiro falar aqui apenas das produções do último tipo, pois são elas que fazem da Mostra o evento mais importante de cinema no País.

No ano passado, após assistir a Era Uma Vez na Anatólia, de Nuri Bilge Ceylan, saí da sessão com a certeza de que tinha visto o melhor filme daquele evento, fato que se confirmou posteriormente. Nesse ano, o mesmo ocorreu com Tabu, de Miguel Gomes, produção portuguesa que consegue aliar o apuro estético com um surpreendente exercício narrativo e de gênero.

Para minha sorte, a programação da Mostra trouxe uma retrospectiva precoce de todos os filmes de Miguel Gomes (três longas, incluindo Tabu, e seis curtas-metragens), aos quais pude assistir integralmente. O curioso nesse conjunto de obra é notar o quanto Gomes aprimorou a sua linguagem cinematográfica, passando longe, para isso, de uma evolução linear, presa a qualquer tipo de convenções. No cinema do diretor, mais do que no de qualquer outro, cada filme é um filme: começando por alguns curtas descartáveis, passando pelo irregular longa de estreia (A Cara que Mereces) e pelo já ótimo e inventivo Aquele Querido Mês de Agosto e chegando à obra-prima Tabu, que coloca o português, apesar da pouca idade, no rol dos grandes diretores do cinema mundial.

Outra retrospectiva reveladora dessa Mostra foi a do russo Andrei Tarkóvski, na qual assisti a cinco de seus filmes (O Rolo Compressor e o Violinista, A Infância de Ivan, Solaris, O Espelho e O Sacrifício) além de alguns documentários sobre o diretor. Autor de um cinema contemplativo, que assim como o de Antonioni diz respeito mais a fatos internos do que externos, Tarkóvski me deixou uma ótima impressão, mas admito que algumas revisões seriam benéficas para uma melhor captação de todos os simbolismos de suas obras.

Já em relação ao cinema brasileiro, o destaque inquestionável ficou por conta de O Som ao Redor, primeiro longa-metragem do pernambucano Kleber Mendonça Filho, que já havia chamado a atenção em curtas como o excepcional Recife Frio. Tomando uma rua da capital pernambucana como microcosmo da sociedade brasileira, Kleber fez um filme ao mesmo tempo calmo e desesperador, silencioso e barulhento, que desvenda sutilmente o horror da luta de classes invisível e, mais do que isso, evita apontar soluções fáceis para apaziguar este caos.

O Som ao Redor, principal filme brasileiro do evento

Listo abaixo todos os filmes vistos na Mostra (com exceção dos curtas) junto de suas respectivas avaliações. Posteriormente, pretendo escrever críticas sobre parte das produções aqui citadas.

Tabu, de Miguel Gomes – 9,0
O Sacrifício, de Andrei Tarkóvski – 9,0
O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho – 8,5
Solaris, de Andrei Tarkóvski – 8,5
Lado a Lado, de Chris Kenneally – 8,0
Coronel Blimp – Vida e Morte, de Michael Powell e Emeric Pressburger – 8,0
O Violinista e o Rolo Compressor, de Andrei Tarkóvski – 8,0
Um Alguém Apaixonado, de Abbas Kiarostami – 8,0
No, de Pablo Larraín – 8,0
A Caça, de Thomas Vinterberg – 8,0
O Gebo e a Sombra, de Manoel de Oliveira – 8,0
Aquele Querido Mês de Agosto, de Miguel Gomes – 8,0
Reality, de Matteo Garrone – 8,0 (leia crítica aqui)
Além das Montanhas, de Cristian Mungiu – 8,0
Liv e Ingmar – Uma História de Amor, de Dheeraj Akolkar – 8,0
O Espelho, de Andrei Tarkóvski – 8,0
Nosferatu, de F. W. Murnau – 8,0
A Feiticeira da Guerra, de Kim Nguyen – 7,5
Elena, de Petra Costa – 7,5
A Infância de Ivan, de Andrei Tarkóvski – 7,5
Francisco Brennand, de Mariana Brennand Fortes – 7,5
A Copa Esquecida, de Lorenzo Garzella e Filippo Macelloni – 7,5 (leia crítica aqui)
Era Uma Vez Eu, Verônica, de Marcelo Gomes – 7,5
Bergman e Magnani: A Guerra dos Vulcões, de Francesco Patierno – 7,0
O Peso da Culpa, de Lars-Gunnar Lotz – 7,0
Hélio Oiticica, de Cesar Oiticica Filho  – 7,0
A Parte dos Anjos, de Ken Loach – 7,0
Aprés Mai, de Olivier Assayas – 7,0
O Amante da Rainha, de Nikolaj Arcel – 7,0
Cine Holliúdy, de Halder Gomes – 7,0
O Quase Homem, de Martin Lund – 7,0
Antiviral, de Brandon Cronenberg – 7,0
A Bela Que Dorme, de Marco Bellochio – 6,5
Love Is All You Need, de Susanne Bier – 6,5
A Cara Que Mereces, de Miguel Gomes – 6,5
Uma História de Amor e Fúria, de Luiz Bolognesi – 6,5
Bully, de Lee Hirsch – 6,5
Rapsódia Armênia, de Cassiana Der Haroutiounian, Cesar Gananian e Gary Gananian  – 6,5
Eu Não Faço a Menor Ideia do Que Eu Tô Fazendo Com a Minha Vida, de Matheus Souza – 6,5
Estudante, de Darezhan Omirbayev – 6,0
Ditado, de Antonio Chavarrías – 6,0
Alpes, de Yorgos Lanthimos – 6,0
La Noche de Enfrente, de Raoul Ruiz – 5,5
Imperdoável, de André Téchiné  – 5,0
Super Nada, de Rubens Rewald – 3,0
Chamada a Cobrar, de Anna Muylaert – 3,0
Voz da Primavera, de Houshang Falah Rezaei – 0,0

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