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O 18º festival internacional de documentários É Tudo Verdade começou na última sexta-feira e irá se estender até o próximo dia 14 em São Paulo e no Rio de Janeiro. Posteriormente, Brasília e Campinas também receberão o evento, que traz ao todo 82 filmes de 26 países diferentes.

Esse post inaugura a cobertura do blog ao festival.

tudo verdade

Minha Revolução Roubada, de Nahid Persson Sarvestani

A abordagem de temas políticos através de histórias pessoais de diretores foi vista recentemente em filmes como Diário de Uma Busca, de Flávia Castro, Uma Longa Viagem, de Lúcia Murat, e Marighella, de Isa Grispum Ferraz. Essa linhagem de documentários, contudo, não é uma exclusividade do cinema brasileiro, como comprova o bom documentário Minha Revolução Roubada, de Nahid Persson Sarvestani.

Ex-militante comunista no Irã, a diretora viu a luta contra o regime do Xá Rehza Pahlevi resultar em uma situação ainda mais desfavorável após a revolução islâmica de 1979, já que o governo dos aiatolás, além de manter uma política de forte repressão a grupos opositores, também utilizava a religião como forma de rebaixar o papel da mulher na sociedade iraniana.

Várias das companheiras comunistas de Nahid foram presas e permaneceram durante anos em cárcere. O irmão da diretora, Rostan, foi detido e executado pelo regime islâmico, mas ela conseguiu fugir do país e nunca mais voltou para o Irã. Trinta anos depois, a cineasta tomou a decisão de partir em busca do paradeiro das amigas militantes que ela nunca mais havia visto.

A princípio, o que move o documentário, que é narrado em primeira pessoa pela cineasta, é uma tentativa de lidar melhor com a morte do irmão, pela qual ela se sente culpada. Todavia, a medida em que a diretora reencontra suas amigas, que agora moram em lugares diferentes da Europa e EUA, o foco do filme passa a ser a difícil tarefa de se resistir a um governo autoritário.

Como atesta um chaveiro que carrega a foto de Karl Marx, Nahid mantém intactos seus ideais de juventude, e assim fica decepcionada quando descobre que uma ex-líder comunista, que agora vive nos EUA, se converteu ao islamismo. A religião, na visão da diretora, é um meio para dominar política e socialmente a mulher iraniana, tese que ganha sustentação através dos relatos de que todos os presos eram obrigados a orar na prisão. Dessa forma, as imagens de ex-presidiárias retirando e atirando a burca ganham um sentido libertador.

Sem oferecer nenhuma reflexão sobre o cenário atual do Irã, já que, nas entrelinhas, vende-se a ideia de que tudo continua como antes, o documentário é interessante não só por trazer uma nova abordagem a um tema já conhecido (Revolução Iraniana), mas também por retratar de maneira humana a vida de mulheres que, mesmo com tantas lembranças desagradáveis, encontraram meios para seguir vivendo alegremente.

Assim, quando uma ex-militante afirma que fica contente por poder esticar o braço lateralmente, já que não conseguia realizar esse movimento dentro da cela superlotada em que permaneceu por vários anos, o que resta ao espectador é o estranho desejo de que ninguém mais venha a ter este tipo de alegria.

Nota: 7,0/10

Próximas sessões no É Tudo Verdade:

– ESPAÇO MUSEU DA REPÚBLICA (RIO DE JANEIRO): 10/04 – 16H
– RESERVA CULTURAL (SÃO PAULO): 10/04 – 18H
– CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL RJ (RIO DE JANEIRO): 13/04 – 12H

Nosso Nixon, de Penny Lane

Estava assistindo a esse documentário na última sexta-feira no Cine Livraria Cultura quando a imagem desapareceu e o áudio prosseguiu sendo executado. Por alguns minutos, o filme se tornou uma transmissão de rádio, já que o projecionista demorou a interromper a sessão e o responsável pela legendagem também não desligou o seu aparelho. Pouco depois, um instrutor do É Tudo Verdade veio avisar que a cópia estava com defeito e que não seria possível completar sua exibição.

Não sei se o erro será corrigido para as próximas sessões do filme no festival, mas evidentemente fiquei com vontade de assisti-lo novamente, desta vez de modo integral.

Por meio de filmagens feitas por três assistentes diretos de Richard Nixon, o documentário trata do período em que o político foi presidente dos EUA. O material filmado por H. R. Haldeman, John Ehrlichman e Dwight Chapin foi apreendido pelo FBI após o escândalo de Watergate e permaneceu inédito por quase 40 anos.

Próximas sessões no É Tudo Verdade (verificar se o problema da cópia foi corrigido):

– RESERVA CULTURAL (SÃO PAULO): 08/04 – 18H
– ESPAÇO MUSEU DA REPÚBLICA (RIO DE JANEIRO): 10/04 – 18H
– CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL RJ (RIO DE JANEIRO): 13/04 – 18H
– CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL BRASÍLIA (BRASÍLIA): 16/04 – 17H
– CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL BRASÍLIA (BRASÍLIA): 20/04 – 21H

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