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indie

O festival Indie 2013 – Mostra de Cinema Mundial passou por Belo Horizonte no começo do mês e agora chegou a São Paulo, onde fica de 20 de setembro a 3 de outubro com sessões gratuitas no Cinesesc (Rua Augusta, 2075) – veja a programação aqui.  

A partir desse post comentarei alguns dos filmes independentes exibidos pelo evento. A primeira obra a ser analisada é Estranhos Quando Nos Encontramos, de Masahiro Kobayashi.

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Os primeiros minutos de Estranhos Quando Nos Encontramos servem para apresentar os dois personagens principais do filme dirigido pelo japonês Masahiro Kobayashi. Uma câmera lenta mostra a rotina pacata do dono de cinema Kawamura, enquanto que uma trepidante câmera na mão acompanha uma mulher encapuzada que manca.

A montagem paralela faz parecer que aquelas pessoas não se conhecem, mas pouco depois descobrimos que elas vivem na mesma casa. Este fato, contudo, não impede que os dois se tratem como completos desconhecidos, nunca se falando e só se encontrando durante as refeições.

Abdicando dos diálogos durante quase todo o filme, com exceção de dois momentos em que legendas são utilizadas para informar o que está sendo falado, o diretor Kobayashi opta predominantemente por planos estáticos que se repetem para mostrar uma rotina monótona e triste, que quase nunca se altera. Assim, quando um novo ângulo é utilizado para mostrar a entrada de Kawamura no apartamento podemos supor que algo diferente irá acontecer.

Sutilezas como essa são o que há de mais interessante no média-metragem. A presença constante de livros ao redor de Kawamura, por exemplo, atribui a ele uma característica racional que contrasta com o sofrimento da mulher Yukiko, que só consegue expor seus sentimentos através de um choro solitário na banheira, longe do marido. O conflito entre o casal é mostrado especialmente através de seguidas refeições silenciosas, que causam um crescente mal-estar no espectador.

Inesperadamente, porém, a lembrança de uma data marcante e a revelação (para os espectadores) da causa que levou o casal a entrar em conflito servem para que a inércia que paralisou a relação entre os dois seja rompida, permitindo assim a chegada de um novo tipo de convivência.

Nota: 7,0/10

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